sexta-feira, 14 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Esses alunos sentem um desejo enorme em aprender a usar o computador, navegar na internet. Eu e a professora Magda somos as únicas da escola a proporcionar uma aula diferente e quando planejamos usar essa midia ou outra, falamos com as professoras Alcione Santos e Aurileide para juntar as turmas que não medem esforços e participamos todas juntas da construção do conhecimento junto a esses alunos super especiais, ansiosos, curiosos e merecedores do saber contruído em conjunto.
Todos os dias agradeço a Deus pela proteção, apoio e por ter colocado pessoas maravilhosas como essas professoras e alunos no meu caminho.
Sandra Figuerôa
Produção dos Alunos da EJA
A Escola Elpídio França não oferece condições para eu fazer um trabalhor melhor com meus alunos. Levo todo o material, do notebook a tesoura e cola. As salas são úmidas e cheia de goteiras.
Um dia meu aluno comentou que ele estuda na escola mais feia de Águas Compridas. Fiquei com vergonha porque ele tinha razão no que dizia. A nossa escola é feia, desarrumada, até hoje não tenho armario para colocar as atividades e meus materiais.
Essa escola é a única do bairro Alto Nova Olinda, tem espaço suficiente para ter o ensino médio e possui professores comprometidos. Porém a direção é omissa na questão de beneficiar essa comunidade, fazendo com que os juvens e adultos andar quilômetros para terminarem os seus estudos.
Mas, mesmo com toda essa dificuldade, nós que fazemos a Educação de Jovens e Adultos, professoras: Alcione Santos, Aurileide, Magda e eu (Sandra) estamos orgulhosos de nossos alunos que vencem os obstáculos e constroem trabalhos tão dignos. É um grande prazer trabalhar com todas essas pessoas (professoras e alunos).
Sandra Figuerôa
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Cordel Coletivo da Educação de Jovens e Adultos
Meus Senhores, minhas Senhoras
Escutem bem que vou falar
Do lugar onde moro
Só tem lama pra se atolar
É no Alto Nova Olinda
O lugar pra se morar.
Quando chove, minha gente
É um Deus nos acuda
A dificuldade é grande
E nem um político ajuda.
Pra acabar meu sofrimento
Só falta o calçamento.
A escola que estudo
Não tem nenhuma goteira
Apenas quando chove
A sala vira cachoeira.
A tanta água que cai
Que expulsa a sala inteira.
No Posto da Base Rural
É uma dificuldade geral
Pra pegar uma ficha
Que o povo passa mal
E quando reclama ao vigia
Leva uma camada de pau.
Hoje está chovendo,
Amanhã não sei como vai ser
É tanto sofrimento
Pra ladeira eu descer.
E agora meu amigo,
O que nós vamos fazer?
Pra acabar com o sofrimento
Desse povo batalhador
Só mesmo um milagre de Deus
Nosso rei e salvador
Pois é tanta aflição,
Que não vejo solução.
Sentada em uma cadeira
Teu lindo nome escrevi,
Soletrando letra por letra
Adormeci, leve e um tombo e cai.
Foi grande o desespero
Mas de ti não esqueci.
Uma orquestra afinada fez hoje sua apresentação.
O som melodioso da harpa é que fez a distinção.
No meio de tanta beleza
Eis que surge no salão
Marcos como regente
Dessa linda orquestração.
Elias tocou violino com Sebastiana,
Maria e José Carlos mais descontraídos
Fizeram com o trompete malabarismo
E Antonia toda formal
Tocou a flauta transversal
Numa harmonia fenomenal.
Foi um grande espetáculo
De perfeita combinação
O som harmonioso das cordas
Ecoava no salão
Esta noite inesquecível
Foi coberta de emoção.
Ontem ao sair da escola
Passei pelo portão, que escuridão!
Não olhei pro chão,
Não vi o buraco
Dei um tropeço e bum!
Cai de bunda no chão.
Isso tudo minha gente
É o povo do Alto Nova Olinda
Que numa vida de luta e sofrimento
Consegue sorri, aprender e ter esperança
Com a ajuda das professoras
Dona Alcione e Dona Sandra.
PATATIVA DO ASSARÉ
Sou fio das mata,
Cantô da mão grossa,
Trabaio na roça
De inverno e de estio
A minha chapana
É tapada de barro
Só fumo cigarro
De paia de mio.
Sou poeta das brenhas
Não faço o pape
De argum menestré.
Erranti cantô
Que vive vagando
Com sua viola
Cantando pachola
A percura de amo.
Não tenho sabença
Pois nunca estudei
Apenas eu sei
O meu nome assiná
Meu pai coitadinho,
Vivia sem cobre,
E fio de pobre
Não pode estudá.
Meu verso rastero,
Singelo e sem graça
Não entra na praça,
No rico salão.
Meu verso só entra
No campo e na roça,
Nas pobres paioças
Da serra ao sertão.
O zarolho é aqui colocado
Apenas para fazermos uma reflexão
Do quanto damos importância
A beleza do físico, a idade, a elegância.
Você seria capaz
De alguém conviver
Com um rostinho bonito
Que só o mal pode fazer?
Você já reparou
Como é prazeroso
Viver com alguém
Que não é bonito
Mas é muito bondoso.
Alguém que lhe passe alegria
Muita paz e energia
Nem vemos o tempo passar
Gostaríamos de com ele o tempo todo ficar.
Marcos comprou um sapato
Pra festa da escola
Calçando número 42
Comprou o número 40
Sapato muito apertado
É coisa que ninguém agüenta.
Foi pra festa de São João
No arraial da Escola Elpídio França
Lá no canto bem cabreiro
Ele não dava uma risada
Só se via o seu pé
Refrescando na calçada.
A festa mal começou
Marcos então foi embora
Mancando aqui e acolá
Tirou o sapato jogou fora.
Eu não sofro mais esse tormento
Nem mais um minuto a partir de agora!