OS TROPEÇOS DO ALTO NOVA OLINDA
Meus Senhores, minhas Senhoras
Escutem bem que vou falar
Do lugar onde moro
Só tem lama pra se atolar
É no Alto Nova Olinda
O lugar pra se morar.
Quando chove, minha gente
É um Deus nos acuda
A dificuldade é grande
E nem um político ajuda.
Pra acabar meu sofrimento
Só falta o calçamento.
A escola que estudo
Não tem nenhuma goteira
Apenas quando chove
A sala vira cachoeira.
A tanta água que cai
Que expulsa a sala inteira.
No Posto da Base Rural
É uma dificuldade geral
Pra pegar uma ficha
Que o povo passa mal
E quando reclama ao vigia
Leva uma camada de pau.
Hoje está chovendo,
Amanhã não sei como vai ser
É tanto sofrimento
Pra ladeira eu descer.
E agora meu amigo,
O que nós vamos fazer?
Pra acabar com o sofrimento
Desse povo batalhador
Só mesmo um milagre de Deus
Nosso rei e salvador
Pois é tanta aflição,
Que não vejo solução.
Sentada em uma cadeira
Teu lindo nome escrevi,
Soletrando letra por letra
Adormeci, leve e um tombo e cai.
Foi grande o desespero
Mas de ti não esqueci.
Uma orquestra afinada fez hoje sua apresentação.
O som melodioso da harpa é que fez a distinção.
No meio de tanta beleza
Eis que surge no salão
Marcos como regente
Dessa linda orquestração.
Elias tocou violino com Sebastiana,
Maria e José Carlos mais descontraídos
Fizeram com o trompete malabarismo
E Antonia toda formal
Tocou a flauta transversal
Numa harmonia fenomenal.
Foi um grande espetáculo
De perfeita combinação
O som harmonioso das cordas
Ecoava no salão
Esta noite inesquecível
Foi coberta de emoção.
Ontem ao sair da escola
Passei pelo portão, que escuridão!
Não olhei pro chão,
Não vi o buraco
Dei um tropeço e bum!
Cai de bunda no chão.
Isso tudo minha gente
É o povo do Alto Nova Olinda
Que numa vida de luta e sofrimento
Consegue sorri, aprender e ter esperança
Com a ajuda das professoras
Dona Alcione e Dona Sandra.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
HOMENAGEM DOS ALUNOS DA EJA A
PATATIVA DO ASSARÉ
Sou fio das mata,
Cantô da mão grossa,
Trabaio na roça
De inverno e de estio
A minha chapana
É tapada de barro
Só fumo cigarro
De paia de mio.
Sou poeta das brenhas
Não faço o pape
De argum menestré.
Erranti cantô
Que vive vagando
Com sua viola
Cantando pachola
A percura de amo.
Não tenho sabença
Pois nunca estudei
Apenas eu sei
O meu nome assiná
Meu pai coitadinho,
Vivia sem cobre,
E fio de pobre
Não pode estudá.
Meu verso rastero,
Singelo e sem graça
Não entra na praça,
No rico salão.
Meu verso só entra
No campo e na roça,
Nas pobres paioças
Da serra ao sertão.
PATATIVA DO ASSARÉ
Sou fio das mata,
Cantô da mão grossa,
Trabaio na roça
De inverno e de estio
A minha chapana
É tapada de barro
Só fumo cigarro
De paia de mio.
Sou poeta das brenhas
Não faço o pape
De argum menestré.
Erranti cantô
Que vive vagando
Com sua viola
Cantando pachola
A percura de amo.
Não tenho sabença
Pois nunca estudei
Apenas eu sei
O meu nome assiná
Meu pai coitadinho,
Vivia sem cobre,
E fio de pobre
Não pode estudá.
Meu verso rastero,
Singelo e sem graça
Não entra na praça,
No rico salão.
Meu verso só entra
No campo e na roça,
Nas pobres paioças
Da serra ao sertão.
ZAROLHO
O zarolho é aqui colocado
Apenas para fazermos uma reflexão
Do quanto damos importância
A beleza do físico, a idade, a elegância.
Você seria capaz
De alguém conviver
Com um rostinho bonito
Que só o mal pode fazer?
Você já reparou
Como é prazeroso
Viver com alguém
Que não é bonito
Mas é muito bondoso.
Alguém que lhe passe alegria
Muita paz e energia
Nem vemos o tempo passar
Gostaríamos de com ele o tempo todo ficar.
O zarolho é aqui colocado
Apenas para fazermos uma reflexão
Do quanto damos importância
A beleza do físico, a idade, a elegância.
Você seria capaz
De alguém conviver
Com um rostinho bonito
Que só o mal pode fazer?
Você já reparou
Como é prazeroso
Viver com alguém
Que não é bonito
Mas é muito bondoso.
Alguém que lhe passe alegria
Muita paz e energia
Nem vemos o tempo passar
Gostaríamos de com ele o tempo todo ficar.
O SAPATO
Marcos comprou um sapato
Pra festa da escola
Calçando número 42
Comprou o número 40
Sapato muito apertado
É coisa que ninguém agüenta.
Foi pra festa de São João
No arraial da Escola Elpídio França
Lá no canto bem cabreiro
Ele não dava uma risada
Só se via o seu pé
Refrescando na calçada.
A festa mal começou
Marcos então foi embora
Mancando aqui e acolá
Tirou o sapato jogou fora.
Eu não sofro mais esse tormento
Nem mais um minuto a partir de agora!
Marcos comprou um sapato
Pra festa da escola
Calçando número 42
Comprou o número 40
Sapato muito apertado
É coisa que ninguém agüenta.
Foi pra festa de São João
No arraial da Escola Elpídio França
Lá no canto bem cabreiro
Ele não dava uma risada
Só se via o seu pé
Refrescando na calçada.
A festa mal começou
Marcos então foi embora
Mancando aqui e acolá
Tirou o sapato jogou fora.
Eu não sofro mais esse tormento
Nem mais um minuto a partir de agora!
BRASIL – UM PAÍS DE CONTRASTES
Maria de Fátima do Nascimento – Aluna EJA
I
Vejam só minha gente os sem-terra
Lá vem aqueles pobres coitados
Que não tem onde mora
Vem de enxada e de pá
E também de barrote e madeira
Pra invadi as terras
Dos ricaços da mangueira
Ai! Coitado dos sem tetos
Vivem sem ter onde morar.
Moram na beira de maré,
Nas verdadeiras palafitas.
Nos morros pouca gente é traficante
Nas favelas a barra é piriquitante.
Na saúde então, uma negação.
Aqui, no Alto Nova Olinda
O posto de saúde é uma esculhambação
Não tem médico, nem dentista,
De exame não se fala, danousse!
Falta até medicação.
A escola do meu bairro
De nome Elpídio França
Tem professores maravilhosos
E uma curiosidade intrigante
Vocês sabiam que a diretora é que nem pé de cobra?
Quem vê, morre do coração.
Do desemprego nem se fala
Porque aumenta a cada dia.
Na classe do desemprego,
Está o pai de família
Que levanta de manhã, pergunta a Deus
Onde vou buscar o alimento pra meu pessoal?
Riqueza só para os políticos
Que são uns corruptos
Vivem iludindo as pessoas de boa fé
Com promessas e falcatruas.
Só se importam com a população
Na época da eleição.
E os prestígios dos deputados
Que diante de tantas questões nacionais
Distribuem passagem e andam de avião
Como se anda de trem e de ônibus.
E o pobre coitado, pede dinheiro emprestado
Ao vizinho pra pagar a passagem.
Este é o meu país
De beleza e riqueza
Temos de tudo na natureza
Mas vivemos na pobreza.
É uma realidade que entristece
Mas a esperança de melhorar nos enaltece.
Maria de Fátima do Nascimento – Aluna EJA
I
Vejam só minha gente os sem-terra
Lá vem aqueles pobres coitados
Que não tem onde mora
Vem de enxada e de pá
E também de barrote e madeira
Pra invadi as terras
Dos ricaços da mangueira
Ai! Coitado dos sem tetos
Vivem sem ter onde morar.
Moram na beira de maré,
Nas verdadeiras palafitas.
Nos morros pouca gente é traficante
Nas favelas a barra é piriquitante.
Na saúde então, uma negação.
Aqui, no Alto Nova Olinda
O posto de saúde é uma esculhambação
Não tem médico, nem dentista,
De exame não se fala, danousse!
Falta até medicação.
A escola do meu bairro
De nome Elpídio França
Tem professores maravilhosos
E uma curiosidade intrigante
Vocês sabiam que a diretora é que nem pé de cobra?
Quem vê, morre do coração.
Do desemprego nem se fala
Porque aumenta a cada dia.
Na classe do desemprego,
Está o pai de família
Que levanta de manhã, pergunta a Deus
Onde vou buscar o alimento pra meu pessoal?
Riqueza só para os políticos
Que são uns corruptos
Vivem iludindo as pessoas de boa fé
Com promessas e falcatruas.
Só se importam com a população
Na época da eleição.
E os prestígios dos deputados
Que diante de tantas questões nacionais
Distribuem passagem e andam de avião
Como se anda de trem e de ônibus.
E o pobre coitado, pede dinheiro emprestado
Ao vizinho pra pagar a passagem.
Este é o meu país
De beleza e riqueza
Temos de tudo na natureza
Mas vivemos na pobreza.
É uma realidade que entristece
Mas a esperança de melhorar nos enaltece.
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