sexta-feira, 14 de agosto de 2009

PRODUÇÃO DE PUBLICIDADE COM PROVÉRBIOS POPULARES


Um trabalho maravilhoso e enriquecedor de provérbios populares.




Todos são especiais e fizeram com muita habilidade sua publicidade.

Tenho orgulho desses alunos. Todos nós podemos, basta acreditar!!!











Antes da produção, houve a mímica dos provérbios escolhidos. Uma aula divertida e prazerosa. Amo esses alunos!!!!














Que lindo!!!! Uma apresentação para se orgulhar. A professora Alcione ficou babando e eu nem posso falar de tão emocionada com esses artistas.

















segunda-feira, 10 de agosto de 2009

É dessa forma que meus alunos tem acesso ao computador. Eu levo meu notebook de Pau Amarelo até o Alto Nova Olinda (são dois ônibus), quando chego na escola coloco a minha cadeira no birô, o notebook em cima e assim apresento os vídeos e dou minhas aulas.

Esses alunos sentem um desejo enorme em aprender a usar o computador, navegar na internet. Eu e a professora Magda somos as únicas da escola a proporcionar uma aula diferente e quando planejamos usar essa midia ou outra, falamos com as professoras Alcione Santos e Aurileide para juntar as turmas que não medem esforços e participamos todas juntas da construção do conhecimento junto a esses alunos super especiais, ansiosos, curiosos e merecedores do saber contruído em conjunto.

Todos os dias agradeço a Deus pela proteção, apoio e por ter colocado pessoas maravilhosas como essas professoras e alunos no meu caminho.

Sandra Figuerôa

Produção dos Alunos da EJA

A Escola Elpídio França não oferece condições para eu fazer um trabalhor melhor com meus alunos. Levo todo o material, do notebook a tesoura e cola. As salas são úmidas e cheia de goteiras.

Um dia meu aluno comentou que ele estuda na escola mais feia de Águas Compridas. Fiquei com vergonha porque ele tinha razão no que dizia. A nossa escola é feia, desarrumada, até hoje não tenho armario para colocar as atividades e meus materiais.

Essa escola é a única do bairro Alto Nova Olinda, tem espaço suficiente para ter o ensino médio e possui professores comprometidos. Porém a direção é omissa na questão de beneficiar essa comunidade, fazendo com que os juvens e adultos andar quilômetros para terminarem os seus estudos.

Mas, mesmo com toda essa dificuldade, nós que fazemos a Educação de Jovens e Adultos, professoras: Alcione Santos, Aurileide, Magda e eu (Sandra) estamos orgulhosos de nossos alunos que vencem os obstáculos e constroem trabalhos tão dignos. É um grande prazer trabalhar com todas essas pessoas (professoras e alunos).

Sandra Figuerôa

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cordel Coletivo da Educação de Jovens e Adultos

OS TROPEÇOS DO ALTO NOVA OLINDA

Meus Senhores, minhas Senhoras
Escutem bem que vou falar
Do lugar onde moro
Só tem lama pra se atolar
É no Alto Nova Olinda
O lugar pra se morar.

Quando chove, minha gente
É um Deus nos acuda
A dificuldade é grande
E nem um político ajuda.
Pra acabar meu sofrimento
Só falta o calçamento.

A escola que estudo
Não tem nenhuma goteira
Apenas quando chove
A sala vira cachoeira.
A tanta água que cai
Que expulsa a sala inteira.

No Posto da Base Rural
É uma dificuldade geral
Pra pegar uma ficha
Que o povo passa mal
E quando reclama ao vigia
Leva uma camada de pau.

Hoje está chovendo,
Amanhã não sei como vai ser
É tanto sofrimento
Pra ladeira eu descer.
E agora meu amigo,
O que nós vamos fazer?

Pra acabar com o sofrimento
Desse povo batalhador
Só mesmo um milagre de Deus
Nosso rei e salvador
Pois é tanta aflição,
Que não vejo solução.

Sentada em uma cadeira
Teu lindo nome escrevi,
Soletrando letra por letra
Adormeci, leve e um tombo e cai.
Foi grande o desespero
Mas de ti não esqueci.

Uma orquestra afinada fez hoje sua apresentação.
O som melodioso da harpa é que fez a distinção.
No meio de tanta beleza
Eis que surge no salão
Marcos como regente
Dessa linda orquestração.

Elias tocou violino com Sebastiana,
Maria e José Carlos mais descontraídos
Fizeram com o trompete malabarismo
E Antonia toda formal
Tocou a flauta transversal
Numa harmonia fenomenal.

Foi um grande espetáculo
De perfeita combinação
O som harmonioso das cordas
Ecoava no salão
Esta noite inesquecível
Foi coberta de emoção.

Ontem ao sair da escola
Passei pelo portão, que escuridão!
Não olhei pro chão,
Não vi o buraco
Dei um tropeço e bum!
Cai de bunda no chão.

Isso tudo minha gente
É o povo do Alto Nova Olinda
Que numa vida de luta e sofrimento
Consegue sorri, aprender e ter esperança
Com a ajuda das professoras
Dona Alcione e Dona Sandra.
HOMENAGEM DOS ALUNOS DA EJA A
PATATIVA DO ASSARÉ

Sou fio das mata,
Cantô da mão grossa,
Trabaio na roça
De inverno e de estio
A minha chapana
É tapada de barro
Só fumo cigarro
De paia de mio.

Sou poeta das brenhas
Não faço o pape
De argum menestré.
Erranti cantô
Que vive vagando
Com sua viola
Cantando pachola
A percura de amo.

Não tenho sabença
Pois nunca estudei
Apenas eu sei
O meu nome assiná
Meu pai coitadinho,
Vivia sem cobre,
E fio de pobre
Não pode estudá.

Meu verso rastero,
Singelo e sem graça
Não entra na praça,
No rico salão.
Meu verso só entra
No campo e na roça,
Nas pobres paioças
Da serra ao sertão.
ZAROLHO


O zarolho é aqui colocado
Apenas para fazermos uma reflexão
Do quanto damos importância
A beleza do físico, a idade, a elegância.

Você seria capaz
De alguém conviver
Com um rostinho bonito
Que só o mal pode fazer?

Você já reparou
Como é prazeroso
Viver com alguém
Que não é bonito
Mas é muito bondoso.

Alguém que lhe passe alegria
Muita paz e energia
Nem vemos o tempo passar
Gostaríamos de com ele o tempo todo ficar.
O SAPATO

Marcos comprou um sapato
Pra festa da escola
Calçando número 42
Comprou o número 40
Sapato muito apertado
É coisa que ninguém agüenta.

Foi pra festa de São João
No arraial da Escola Elpídio França
Lá no canto bem cabreiro
Ele não dava uma risada
Só se via o seu pé
Refrescando na calçada.

A festa mal começou
Marcos então foi embora
Mancando aqui e acolá
Tirou o sapato jogou fora.
Eu não sofro mais esse tormento
Nem mais um minuto a partir de agora!
BRASIL – UM PAÍS DE CONTRASTES
Maria de Fátima do Nascimento – Aluna EJA

I

Vejam só minha gente os sem-terra
Lá vem aqueles pobres coitados
Que não tem onde mora
Vem de enxada e de pá
E também de barrote e madeira
Pra invadi as terras
Dos ricaços da mangueira

Ai! Coitado dos sem tetos
Vivem sem ter onde morar.
Moram na beira de maré,
Nas verdadeiras palafitas.
Nos morros pouca gente é traficante
Nas favelas a barra é piriquitante.

Na saúde então, uma negação.
Aqui, no Alto Nova Olinda
O posto de saúde é uma esculhambação
Não tem médico, nem dentista,
De exame não se fala, danousse!
Falta até medicação.

A escola do meu bairro
De nome Elpídio França
Tem professores maravilhosos
E uma curiosidade intrigante
Vocês sabiam que a diretora é que nem pé de cobra?
Quem vê, morre do coração.

Do desemprego nem se fala
Porque aumenta a cada dia.
Na classe do desemprego,
Está o pai de família
Que levanta de manhã, pergunta a Deus
Onde vou buscar o alimento pra meu pessoal?

Riqueza só para os políticos
Que são uns corruptos
Vivem iludindo as pessoas de boa fé
Com promessas e falcatruas.
Só se importam com a população
Na época da eleição.

E os prestígios dos deputados
Que diante de tantas questões nacionais
Distribuem passagem e andam de avião
Como se anda de trem e de ônibus.
E o pobre coitado, pede dinheiro emprestado
Ao vizinho pra pagar a passagem.

Este é o meu país
De beleza e riqueza
Temos de tudo na natureza
Mas vivemos na pobreza.
É uma realidade que entristece
Mas a esperança de melhorar nos enaltece.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

RELATÓRIO DA ATIVIDADE COM LITERATURA DE CORDEL

Profª Sandra Paula Leite Figuerôa



Conforme a solicitação de Paloma Camarotti, formadora do Programa GESTAR II em Língua Portuguesa, relato a atividade sobre o cordel realizada com os alunos da Educação de Jovens e Adultos, 2º segmento, na Escola Elpídio França, no município de Olinda (PE), nos dias 22, 25 e 26 de maio de 2009.

CARACTERIZAÇÃO DA TURMA:

A origem dos alunos da Educação de Jovens e Adultos é diversa, com acúmulo e uma bagagem cultural bem diversificada. Esse conjunto cultural numa mesma sala de aula é rico porque marca a visão de mundo que é base para a construção do conhecimento.
A minha turma é composta por 34 alunos pertencentes a uma comunidade carente, violenta e de baixa renda. Tenho uma sala mista, com alunos de 14 a 68 anos de idade, alguns trabalham como pedreiros, biscateiros, diaristas, carnavalesco, servente, uns vivem nos sítios e comercializam os produtos cultivados como: frutas, verduras e legumes.

OBJETIVOS:

Conhecer e compreender a literatura de cordel como um objeto de estudo que abrange diversas áreas do conhecimento, suas características, história e formação dos versos.
Entender o significado do cordel e da xilogravura para o povo nordestino valorizando a arte e a cultura dos artistas.
Corporificar a literatura de cordel com a criação de um texto coletivo sobre os problemas do bairro Alto Nova Olinda.



RECURSOS UTILIZADOS:
Quadro, giz, vídeos sobre a literatura de cordel, livretos de cordéis papel ofício e notebook.

ATIVIDADES REALIZADAS:

No dia 22/05 conversamos sobre o cordel, o que eles sabiam, se leram ou ouviram falar, se já haviam produzido algum, etc. Depois expliquei o que seria feito e mostrei a importância deles na realização da atividade, visto que eu havia passado pela mesma situação a fim de desenvolver com eles essa produção para o curso GESTAR II.
Fiquei surpresa ao saber que nenhum dos alunos conhecia esse tipo de literatura, alguns já tinham ouvido falar, mas não sabiam o que era. Mostrei no notebook o vídeo sobre xilogravura, expliquei a importância dessa arte para o cordel e pedi que eles produzissem uma na sala. Essa atividade foi relevante porque os mais velhos resgatavam histórias do passado e as representava por meio do desenho.
No dia 25/05, levei para a sala diversos livretos de cordéis com temas bem pitorescos para os alunos manusearem e perceberem as características dessa literatura o que chamou bastante a atenção. Por meio do notebook mostrei para eles a história de diversos autores de cordéis e um texto sobre Patativa do Assaré.
Depois da explicação dos vídeos, pedi para eles desenvolverem um texto de cordel sobre os problemas do bairro. A princípio sentiram-se inseguros e demonstraram incapacidade para realização da atividade, mas, mesmo insegura eu mostrei que não seria tão difícil porque um ia dizer uma frase que o outro ia rimar e assim construiríamos o texto coletivamente sem pressa e atropelos, pois todos eram capazes. Foi surpreendente a integração da turma com a criação do texto, as rimas surgiam espontaneamente e eles demonstraram tanto prazer e entusiasmo que nessa aula construímos o nosso cordel com alegria e satisfação geral.
No dia seguinte (26/05), os alunos chegaram animados e cheio de idéias, trouxeram versos e poemas de vários autores que estão no anexo, inclusive um de Patativa do Assaré. Li para eles os textos trazidos e o nosso cordel, a fim de revisar, acrescentar novas idéias e escolher o título. Depois entreguei a cada um deles a metade da folha de ofício dobrada ao meio e pedi para eles desenharem sobre o tema do cordel, visto que pretendo entregar a cada aluno um exemplar do texto produzido.
Segundo os alunos não houve dificuldade em desenvolver a atividade, no começo tiveram insegurança, mas quando perceberam como o texto era estruturado, levaram a atividade de maneira descontraída, criando versos com o cuidado de encontrar a rima entre eles.
Desenvolver essa atividade foi gratificante não só para mim como para a professora Alcione Santos que também é da EJA e acompanhou comigo a evolução dos alunos. Foi maravilhoso ver a satisfação deles, a animação de mostrar as idéias escritas e apresentar aos colegas, a participação e a interação. Realmente eles deram um show de capacidade e cidadania, pois eles falaram sobre os problemas do bairro de forma divertida e contextualizada. Anexo ao relatório está algumas fotos que registram os momentos do desenvolvimento desse cordel.

Alunos da EJA preparando um cordel